Samstag, 12. April 2008

Colectaneas

O meu problema com o passar do tempo é óbvio. Tento concentrar-me no presente, mas nao consigo arrancar-me do passado e projeccoes futuras esmagam a liberdade do hoje e agora.
Busco a receita "Como aproveitar esta oportunidade da melhor forma", mas ninguém me indica onde a encontrar.
Questoes banais como acordar cedo aos fins-de-semana para aproveitar melhor o tempo trazem consigo algo de obrigacao. Se tal deve acontecer, que entao seja espontaneo. Se nao sucede, como na maior parte dos casos, assaltam-me os remorsos e termino o dia com aquela sensacao de nada ter feito de proveitoso ou importante. Mas quem define o que isso é? Eu ou a aceitacao generalizada? Afinal nao tem tudo a ver com o próprio ser e as suas prioridades, o seu bem-estar (obviamente nao esquecendo o altruísmo, mas isso já tem mais de lugar comum...)?
Por vezes, sinto uma angústia incomensurável por nao poder parar no tempo para me decidir sobre o caminho que quero seguir. Este mesmo segundo, no qual me encontro e que puff já se esvaneceu na intemporalidade do tempo, nao pode ser revivido, apenas a sua memória ou a imaginacao do que poderia ter sido.
Porém, ao entregar-me a deleites musicais como "Another Boy Drowning" dos The The (para nomear só um...) ou "How soon is now" dos Smiths, sou invadida por um desespero por nao ter nascido uns anos mais cedo e poder sentir a existencia destes grupos, e nao, como hoje, ter de recorrer a Best ofs ou a colectaneas de revivalismo (ignorando a multitude dos mesmos por exemplo dos Stones). A plenitude que sinto ao sabor destes sons ainda nao foi ultrapassada por aquilo que hoje existe.
O que me tornaria uns anos mais velha. Hummm... Pensando bem... Vou buscar já a colectanea 45'.

"Saturday night and I was laying in my bed
The window was open and raindrops were bouncing off my head
When it hit me like a thunderbolt!
I don't know nothing and I'm scared that I never will
You pray to your God that you'll never feel so much pain again
But the agony has just begun

Moving on. Opening new doors
Life just doesn't seem that simple anymore
And in case I don't see you again
I hope you’ll feel glad that you knew me
While I was here"

Another Boy Drowning

Conflito de idiomas

Sem intencionar construir desculpas que possam justificar a ausencia de vocábulos e expressoes adequados a poder ilustrar aquilo que vejo, sinto, penso e admiro, estou convencida que a capacidade de memorizacao a nível linguístico é indubitavelmente influenciada pelo número de línguas que se domina ou a quantidade das mesmas às quais obrigatoriamente se recorre no dia-a-dia.
As minhas certezas e plenitudes em relacao à língua portuguesa vao desaparecendo com o tempo, ocasionalmente apoio-me na muleta dicionário online alemao-ingles ou alemao-portugues ou ingles-portugues.
Um fenómeno curioso que tende a assaltar-me os pensamentos após uma curta estada em Portugal é o facto de, por vezes, ouvir uns quaisquer vocábulos ao longe (exemplo TV) e nao saber como interpretá-los ou categorizá-los. "Será esta a minha língua materna?", dou por mim a questionar-me. Quase uma incapacidade assustadora de nao conseguir identificar ou diferenciar umas das outras. Sao uns segundos nos quais o meu cérebro tenta arduamente localizar-me no espaco e no universo linguísticos e por isso originários.
Será este um sinal de germanizacao?

Donnerstag, 10. April 2008

A escritora

Após umas horas passadas no ginásio, que cada vez me dao menos prazer (será sinal de senilidade e sedentadoria?), decidi escolher um outro que nao o rumo directo para casa, afinal esta encontrava-se vazia. Hoje nao estava naqueles dias de abrir portas às minhas loucuras profundas, o que sucede naquelas horas em que estou home alone e penso que ninguém me observa. Nao, optei por me regozijar com uma salada num bar. Apercebi-me dos olhares atentos dos que se encontravam já sentados. Quase ninguém entra sozinho num bar e muito menos pessoas se sentam numa mesa solitária, uma cadeira para si, outra para o casaco e a carteira, objecto assaz feminino de decoracao exterior. Senti uma obrigacao social de nao me deixar intimidar. Dei por mim a proceder exactamente na mesma quando a "escritora" marchou no bar, resoluta e de passos decididos, já com uma mesa em vista. Recuei no tempo, imaginei-me a mim mesma. A "escritora" puxou do seu caderno de notas e escreveu desenfreadamente as primeiras linhas. Um olhar fugaz apanhou o meu, para depois se debrucar no pequeno livro e continuar a esvaziar a alma, com um sorriso leve nos lábios. Assim como pensei em captar este momento de semi-intimidade no blog, assim irei eu aparecer num dos seus textos. Provavelmente.
Digo isto sem intencoes narcisisticas. Quando nos sentamos e julgamos sermos nós a parte activa de observacao, por vezes seremos simultaneamente o objecto de estudo.

Montag, 7. April 2008

Epifania

Numa justificacao muito própria, envolvida num egocentrismo atroz e de auto-salvacao, cheguei a uma conclusao, talvez precoce, mas deveras reconfortante. Esta humilde existencia terá servido pelo menos para te salvar de uma convivencia abissal condenada ao fracasso, vulgo casamento.

Definitivamente...


Ronya Galka, "It Must Be Monday Morning"

Sonntag, 6. April 2008

A contribuicao pessoal para o desenvolvimento da espécie

Imaginemos que um portador de Blackberry produza 300 mails por dia, cujo tempo de elaboracao ronde por unidade uns 2,5 minutos e cuja leitura de cada um leve 2 minutos, e os envie em média a 5 pessoas.


300 mails*1 pessoa*2,5 minutos = 750 minutos
300 mails*5 pessoas*2 minutos = 3.000 minutos

No total: 62,5 horas

Tudo isto para o lixo de UMA SÓ PESSOA?

Redes

Pergunto-me: Se já sem blog, Facebook, Hi5, Star Tracker e Xing (ainda haveria o Linkedin ou Tagged) eu conseguia ter tempo para os amigos, como faze-lo agora?

É imperativo buscar conselhos...